Pará

Quase 300 veículos com placas irregulares entram na mira do Sentinela

Sistema de videomonitoramento do Detran identificou 292 veículos com placas frias em apenas dois meses. Casos de clonagem, carros circulando com dados adulterados e mais de 900 irregularidades reforçam avanço da fiscalização tecnológica nas estradas estaduais.

As rodovias estaduais do Pará estão sendo monitoradas por um novo olhar eletrônico. E os primeiros resultados já chamam atenção.

Em apenas dois meses de operação intensificada, o sistema Sentinela, coordenado pelo Departamento de Trânsito do Estado (Detran), identificou 292 veículos circulando com placas frias. Os números acendem um alerta sobre uma prática frequentemente associada a fraudes e outras atividades ilícitas, além de revelar a dimensão de um problema que muitas vezes passa despercebido pelos motoristas comuns.

A atuação da Central de Operações Viárias transforma câmeras e inteligência tecnológica em ferramentas permanentes de vigilância nas estradas paraenses.

Segundo informações do Detran, o sistema opera por meio de videomonitoramento em tempo real.

Quando uma câmera detecta indícios de irregularidade em uma placa, o alerta é imediatamente enviado às forças de segurança e às equipes que atuam presencialmente nas rodovias.

A confirmação da fraude ocorre durante a abordagem física do veículo.

Caso a irregularidade seja constatada, o condutor e o automóvel são encaminhados para os procedimentos legais.

A estratégia busca impedir que veículos com documentação adulterada continuem circulando livremente pelas estradas estaduais.

Além das chamadas placas frias, outro fenômeno vem chamando atenção dos órgãos de fiscalização: a clonagem de placas.

Em apenas 16 dias, o sistema registrou pelo menos seis ocorrências desse tipo.

Um dos episódios mais curiosos ocorreu quando um veículo de mesma cor, modelo e placa foi identificado circulando praticamente ao mesmo tempo em municípios diferentes.

Em outro caso, uma motocicleta e um automóvel compartilhavam a mesma identificação e foram registrados mais de 200 vezes no mesmo perímetro monitorado.

A movimentação levanta dúvidas sobre o alcance dessas práticas e sobre o número real de veículos que podem estar circulando com identificação irregular.

Municípios concentram maior número de flagrantes

Os dados levantados pelo Sentinela apontam concentração dos registros em algumas cidades específicas.

Vigia, Ananindeua, Santa Bárbara, Marituba e Bragança aparecem entre os municípios com maior número de ocorrências relacionadas a placas frias ou clonadas.

Nos bastidores da fiscalização, o caso acende um alerta porque a adulteração de placas costuma ser utilizada para dificultar a identificação de veículos envolvidos em infrações ou outros delitos.

Os números não se limitam aos casos de placas irregulares.

Entre 17 de maio e 15 de junho, a Central de Operações Viárias registrou mais de 900 ocorrências de trânsito.

Entre as infrações detectadas estão:

  • Licenciamento em atraso;
  • Condutores sem capacete;
  • Veículos com registro de roubo ou furto;
  • Circulação na contramão;
  • Irregularidades documentais.

A engrenagem tecnológica começa a mostrar um retrato mais detalhado da realidade das rodovias estaduais.

O problema não afeta apenas quem pratica a fraude.

Motoristas que têm suas placas clonadas frequentemente descobrem o golpe somente após receber multas, notificações ou autuações referentes a locais onde jamais estiveram.

Por isso, o Detran orienta que qualquer suspeita seja comunicada imediatamente à Polícia Civil e ao próprio órgão de trânsito.

Após análise técnica, poderá ser aberto processo administrativo para apuração da fraude e proteção dos direitos do proprietário legítimo.

As imagens produzidas pelo sistema já vêm servindo de suporte para operações policiais.

Segundo o Detran, pelo menos doze operações da Polícia Civil utilizaram informações obtidas pelo videomonitoramento para combater irregularidades relacionadas à identificação veicular.

O dinheiro público investido em tecnologia volta ao centro do debate sobre eficiência da fiscalização e modernização da segurança viária.

Os resultados reforçam a importância da integração entre Detran, Polícia Civil e demais órgãos de segurança pública para ampliar a capacidade de identificação de fraudes e reduzir a circulação de veículos irregulares.

Especialistas apontam que o uso de inteligência artificial e monitoramento em tempo real tende a se tornar cada vez mais relevante no combate a crimes ligados à adulteração veicular.

O Detran sustenta que o sistema Sentinela tem como objetivo aumentar a segurança viária, identificar irregularidades em tempo real e apoiar as forças de segurança pública no combate a crimes relacionados ao trânsito.

Segundo o órgão, todas as abordagens dependem de confirmação presencial antes da adoção de medidas legais.

Enquanto muitos motoristas seguem viagem sem perceber, centenas de câmeras observam cada passagem pelas rodovias do Pará. E os números já mostram que, para quem aposta em placas adulteradas ou clonadas, o caminho está ficando cada vez mais curto.

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