Denúncia Licitação Pará

AAJ Lourenço na mira: empresa embolsa R$ 120 milhões, não paga trabalhadores e usa verba para quitar ações judiciais

Enquanto funcionários aguardam salários há meses, empresa terceirizada do Estado do Pará é condenada por violações trabalhistas e prioriza pagar processos judiciais com dinheiro público.

Em pleno 2025, a AAJ Lourenço & Cia Ltda, contratada pela Secretaria de Educação do Pará por impressionantes R$ 120 milhões, é acusada de atrasar salários, deixar trabalhadores sem resposta e desviar parte dos repasses públicos para quitar ações trabalhistas movidas justamente pelos funcionários que deveriam estar recebendo. Documentos obtidos com exclusividade revelam que a empresa está usando o dinheiro do contrato para pagar condenações judiciais — incluindo uma sentença recente que reconhece violações sistemáticas de direitos trabalhistas.

Documentos públicos e decisões judiciais revelam o modus operandi da AAJ Lourenço & Cia Ltda: receber do Estado, demorar para contratar novos trabalhadores, e quando contrata, faz sob pressão — ou após “pingar” o repasse do mês.

Segundo apuração exclusiva deste blog, a empresa só começou a se movimentar em abril, após receber um pagamento de R$ 5,7 milhões. Até então, dezenas de trabalhadores seguiam abandonados à própria sorte, sem salários desde janeiro de 2025.

Enquanto isso, o dinheiro público serve para apagar incêndios na Justiça do Trabalho. Em uma ação movida por M. R. R. Dantas, merendeira demitida pela AAJ, a Justiça reconheceu a jornada exaustiva, a supressão de intervalos e a ausência de pagamento das verbas rescisórias. A empresa foi condenada a pagar R$ 10.250,49, além de contribuições previdenciárias e honorários advocatícios.

A decisão menciona que a funcionária trabalhava sozinha em turnos de 10 horas, sem descanso digno, atendendo mais de 100 alunos por dia. Os registros de ponto foram considerados inválidos pela Justiça por conterem marcações padrão e inconsistências. O caso foi parar na Procuradoria-Geral do Estado do Pará, que recomendou o cumprimento imediato da sentença.

Fontes internas relatam que esse não é um caso isolado. Vários outros ex-colaboradores da AAJ já acionaram a Justiça, e há indícios de que os valores usados para quitar essas dívidas judiciais saem diretamente dos cofres públicos, via contrato firmado com a SEDUC.

“É como se a empresa terceirizada tivesse virado uma lavanderia trabalhista com aval do Estado”, dispara uma fonte da própria Secretaria, sob anonimato. “Recebe milhões, atrasa salários, e quando perde na Justiça, paga com o nosso dinheiro.”

Mais grave ainda: enquanto o edital novo segue sem contratações formais, os grupos de WhatsApp dos trabalhadores são as únicas fontes de “comunicação oficial” da AAJ. Lá, promessas de contratos são feitas sem cronograma ou segurança jurídica. O sentimento entre os trabalhadores é de desamparo — uma espera ansiosa por um “milagre” que nunca chega.

A reportagem tentou contato com a AAJ Lourenço, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta. Também procuramos a SEDUC, que informou apenas que “acompanha os contratos com regularidade e cobra o cumprimento das obrigações”. Diante da gravidade das denúncias, o Ministério Público do Trabalho pode ser provocado a instaurar procedimento investigatório. A destinação dos recursos do contrato, se comprovado o uso indevido para pagar passivos judiciais sem prestação de serviço correspondente, também pode configurar improbidade administrativa — tanto da empresa quanto de gestores públicos que permitiram ou negligenciaram o esquema.

One thought on “AAJ Lourenço na mira: empresa embolsa R$ 120 milhões, não paga trabalhadores e usa verba para quitar ações judiciais

  1. Pingback: MyBlog

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top