Denúncia Pará

Morte de Cantor em Belém Levanta Críticas à Gestão de Saúde na Resposta à Mpox

Gutto Xibatada faleceu após complicações da doença; familiares e especialistas acusam negligência e falta de transparência nas ações do governo municipal.

Em 22 de abril de 2025, o cantor paraense Gutto Xibatada, de 39 anos, morreu após complicações relacionadas à mpox, antiga varíola dos macacos, no Hospital Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti, em Belém. A morte, acompanhada de intensas críticas à gestão da saúde pública municipal, expõe falhas graves no tratamento e no acompanhamento de pacientes, além de uma resposta apática e omissa das autoridades diante do agravamento da crise sanitária.

A tragédia envolvendo Gutto Xibatada começou cerca de um mês antes de sua morte, quando o cantor começou a apresentar sintomas como febre, lesões cutâneas e, em seguida, comprometimento pulmonar — agravado pela asma pré-existente. De acordo com relatos da família, o primeiro atendimento médico orientou o cantor a permanecer em isolamento domiciliar, mesmo com a gravidade dos sintomas, o que pode ter contribuído para a deterioração de sua saúde.

O caso de Gutto ganhou notoriedade após a circulação de imagens dele, em condições críticas, aguardando atendimento no corredor do hospital. Em uma coletiva de imprensa realizada em 28 de abril, o secretário municipal de Saúde, Rômulo Nina, minimizou a situação, afirmando que não há um surto de mpox em Belém e que os casos registrados não têm relação entre si. Ele também tentou desqualificar a divulgação da imagem de Gutto, explicando que a fotografia foi tirada durante a triagem e antes de sua transferência para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI).

Porém, a explicação oficial não acalmou os ânimos. A família de Gutto Xibatada, junto a setores da sociedade civil, acusaram a gestão de negligência e falta de atenção no monitoramento do caso. “A orientação para isolamento domiciliar foi equivocada. Ele já apresentava sinais graves da doença e foi tratado como se fosse um caso simples”, desabafou um familiar do cantor, que pediu anonimato. Além disso, a falta de transparência nas informações e a demora na resposta oficial geraram um caldo de desinformação, aumentando o pânico entre a população.

As críticas aumentaram após o secretário Rômulo Nina afirmar, de maneira insensível, que não havia surto de mpox em Belém, mesmo com duas mortes confirmadas no estado e a multiplicação de casos em outras regiões. Para especialistas, a postura do secretário foi irresponsável, especialmente considerando que o Pará já havia registrado 19 casos confirmados até o dia 23 de abril, com duas mortes — uma delas, a de Gutto. A minimização da gravidade da situação, apontam, foi um erro estratégico, que contribui para a hesitação da população em adotar medidas de prevenção.

Além disso, a gestão de Rômulo Nina foi criticada pela falta de preparo do sistema de saúde local, que, segundo denúncias, não conseguiu oferecer a assistência necessária a pacientes como Gutto Xibatada, deixando-os à mercê de um atendimento demorado e insuficiente. O caso expõe não só a falência do sistema de saúde municipal, mas também um total descompasso entre as autoridades e a realidade enfrentada pela população.

Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde de Belém não divulgou nenhuma medida concreta para evitar novos casos ou corrigir as falhas apontadas pelas famílias das vítimas e especialistas.
O conteúdo desta reportagem se baseia em relatos exclusivos de familiares de Gutto Xibatada e documentos obtidos junto a fontes anônimas, que confirmaram as falhas no atendimento e no gerenciamento do caso. Não houve resposta oficial sobre as alegações de negligência, e os documentos internos da Secretaria Municipal de Saúde não foram disponibilizados para a imprensa.

O caso de Gutto Xibatada já motivou o início de uma investigação pela Câmara Municipal de Belém, que promete questionar o secretário de Saúde sobre os procedimentos adotados na gestão da crise de saúde pública. No entanto, até o momento, as autoridades permanecem em silêncio diante da acusação de má gestão e omissão em relação ao surto de mpox no estado.

A população continua apreensiva, aguardando medidas efetivas para evitar que outras vidas sejam perdidas devido à negligência institucional e à falta de transparência no enfrentamento da epidemia.

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