Pará

Paysandu à deriva: clube histórico vira palanque político e brinquedo de empresário em meio ao iminente rebaixamento

Gestão confusa, interferência de empresários e vaidades políticas ajudam a explicar o colapso do Papão, que amarga a lanterna da Série B e vê o retorno à Terceira Divisão como questão de tempo.

Crise sem precedentes no Papão

O Paysandu Sport Club, um dos maiores símbolos do futebol amazônico, vive seu momento mais sombrio em décadas.
Após a derrota por 3 a 2 para o Remo, na última terça-feira (14), o time não tem mais chances matemáticas de alcançar a “pontuação mágica” de 45 pontos — marca considerada o mínimo para escapar do rebaixamento na Série B.

Com apenas 26 pontos e desempenho sofrível, o Papão caminha a passos largos rumo à Série C de 2026.

Política e interesses empresariais tomam conta do clube

Mas o problema vai muito além das quatro linhas.
Documentos e relatos obtidos com exclusividade por repórteres que acompanham os bastidores do clube revelam um cenário de desorganização, ingerência e uso político do Paysandu.

O time, que deveria ser gerido com profissionalismo, tornou-se vitrine para campanhas eleitorais e brinquedo de luxo de um empresário conhecido — o mesmo que já faliu outras empresas e agora tenta transformar o clube em palco de autopromoção.

Vaidades e egos acima do escudo

Fontes internas relatam que decisões estratégicas — como contratações e dispensas — passaram a ser tomadas fora dos departamentos técnicos, muitas vezes por influência direta desse empresário e de figuras políticas ligadas à diretoria.

“O futebol foi deixado de lado. O que manda é o ego e o marketing pessoal”,
disse um ex-funcionário do clube, sob anonimato.

Os resultados em campo confirmam o caos fora dele: o Paysandu venceu apenas seis vezes em 32 rodadas e amarga a pior campanha entre os 20 clubes da Série B.
O técnico atual, o terceiro da temporada, enfrenta um elenco desmotivado, salários atrasados e um vestiário rachado.

Probabilidade de queda beira os 100%

De acordo com o projeto Probabilidade no Futebol, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Paysandu tem 99,61% de chances de rebaixamento.

Mesmo que vença todas as partidas restantes — Ferroviária, Avaí, Atlético-GO, Coritiba, Amazonas e Athletic — o máximo possível seriam 44 pontos, ainda abaixo do limite considerado seguro.

Essa tragédia esportiva reflete um modelo de gestão arcaico e personalista, no qual o clube serve mais como trampolim político do que como instituição esportiva.
O torcedor, que carrega o clube nas arquibancadas e nas ruas, assiste impotente ao desmonte de um patrimônio centenário.

Silêncio e falta de transparência

Procurados pela reportagem, representantes do Paysandu e o empresário citado não responderam aos pedidos de esclarecimento até o fechamento desta matéria.
O silêncio reforça a sensação de que há mais a esconder do que a explicar.

Enquanto isso, o Papão segue acumulando derrotas e dívidas.
O rebaixamento, que deveria servir de alerta para mudanças profundas, ameaça se transformar apenas em mais um capítulo da crônica de um clube que perdeu o rumo — e, talvez pela primeira vez na história, também a vergonha.

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