Cinthia Hage Rodrigues acusa André Martha Tavares Filho de não cumprir acordo sobre dívidas e usar sua influência política para humilhá-la publicamente. Ação judicial pede indenização de R$ 200 mil por danos morais.
Em um caso que expõe abusos de poder e desrespeito às relações pessoais, a ex-noiva do vereador de Belém do Pará, André Martha Tavares Filho, move uma ação judicial pedindo o cumprimento de uma dívida de mais de R$ 49 mil, além de R$ 200 mil por danos morais. Cinthia Hage Rodrigues alega que, após o fim de sua união estável com o parlamentar, foi deixada com dívidas acumuladas e teve sua reputação destruída por ataques públicos e uso indevido de seu nome para compras fraudulentas. Além disso, o vereador teria utilizado sua posição política para humilhá-la e se eximir de responsabilidades.
A união entre Cinthia Hage Rodrigues e o vereador André Martha Tavares Filho começou em outubro de 2022 e terminou em setembro de 2024. No meio desse relacionamento, André pediu Cinthia em noivado em maio de 2023, em uma cerimônia romântica no Magic Kingdom, em Orlando. No entanto, o sonho de casamento se desfez rapidamente quando, em março de 2024, o noivado foi quebrado pela descoberta de uma traição: André manteve um relacionamento extraconjugal com Thaís Amorim, amiga de Cinthia e até madrinha do casamento planejado.
Com o término da relação, Cinthia ficou não apenas emocionalmente abalada, mas também financeiramente comprometida. Em sua ação judicial, ela relata que ficou com uma dívida total de R$ 49.299,38, que inclui parcelas não pagas de compras feitas com seu nome, além de um empréstimo de R$ 33 mil que André havia se comprometido a dividir, mas que não foi quitado.
O vereador, segundo a denúncia, não apenas se recusou a pagar as dívidas que havia assumido, mas também usou sua posição de influência para agravar a situação. De acordo com a autora, André empregou a atual namorada em um cargo público, um gesto que a ex-noiva interpretou como uma tentativa de humilhação pública. Cinthia ainda relata que foi alvo de ataques em suas redes sociais, onde o vereador a ridicularizou, comparando-a, em um dos vídeos postados, a um “Celtinha” – uma referência pejorativa a sua condição financeira e social.
A autora ainda alega que seu nome foi utilizado de forma indevida para realizar compras no valor de R$ 33 mil, o que levou à negativação de seu CPF no SERASA. Segundo ela, apenas duas das 24 parcelas acordadas foram pagas, deixando uma dívida residual de R$ 30 mil.
Diante dessa série de abusos, Cinthia Hage Rodrigues decidiu recorrer ao Judiciário. Ela entrou com uma ação na Vara de Família de Belém, solicitando o cumprimento das obrigações de André, além de pedir uma indenização de R$ 200 mil por danos morais. O valor, segundo a autora, visa compensar o sofrimento causado pela traição, pela exposição pública e pelos danos financeiros que ela sofreu. A ação também exige que o vereador pague a dívida de R$ 49.299,38, sob pena de penhora de seus bens e salários, com possibilidade de bloqueio on-line via SISBAJUD.
Documentos revelam que o vereador não apenas se absteve de cumprir os compromissos assumidos, como também tentou usar sua posição política para escapar das obrigações financeiras. Além de deixar Cinthia em uma situação financeira comprometida, ele teria se aproveitado da relação pessoal para agredi-la de maneira pública e privada, através do uso de sua imagem e do impacto emocional gerado pela traição e pelos ataques nas redes sociais.
A reportagem teve acesso exclusivo aos documentos da ação judicial, incluindo os registros das dívidas, áudios de conversas entre as partes e vídeos postados por André Martha Tavares Filho nas redes sociais, que expõem as humilhações públicas a que Cinthia foi submetida. Fontes próximas ao caso, que preferiram não ser identificadas, confirmaram a versão apresentada por Cinthia.
Em contato com a assessoria do vereador André Martha Tavares Filho, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno oficial sobre as acusações. A defesa de André alegou, em uma nota não assinada, que a situação está sendo analisada com seriedade e que o caso está sendo tratado com a devida atenção jurídica. O caso segue em tramitação na Justiça de Belém, e os próximos passos incluem a análise da possibilidade de bloqueio de valores via Câmara Municipal de Belém, conforme solicitado pela autora. O desenrolar dessa ação será acompanhado de perto, dado o impacto das alegações, não apenas no âmbito pessoal, mas também no cenário político local, uma vez que as acusações envolvem diretamente um vereador eleito com o apoio do governador e do prefeito da cidade.
