Pará

Garças morrem, moradores denunciam demora em resgate e situação na Batista Campos acende alerta ambiental em Belém

Ataque a uma garça ferida, demora no resgate, relatos de mortes frequentes de aves e ausência de um plano de manejo para a população de garças colocam a praça Batista Campos no centro de uma crescente preocupação ambiental na capital paraense.

Um episódio registrado por frequentadores da praça Batista Campos, um dos cartões-postais mais tradicionais de Belém, trouxe à tona uma preocupação que moradores afirmam não ser nova. Neste domingo (7), uma garça ferida após ser atacada por urubus permaneceu por horas sem atendimento, segundo relatos de pessoas que estavam no local.

A situação provocou indignação entre frequentadores da praça e reacendeu cobranças por ações efetivas do poder público diante do que moradores classificam como um problema ambiental que vem se agravando há meses.

Mais do que o resgate de uma única ave, o caso expõe denúncias sobre mortes recorrentes de garças, dificuldades para obtenção de socorro e a ausência de medidas concretas para compreender o que está acontecendo com uma das espécies mais simbólicas da paisagem urbana de Belém.

Segundo relatos de testemunhas, a ave foi encontrada machucada e com dificuldades de locomoção após sofrer um ataque de urubus dentro da praça.

Uma frequentadora informou que acionou o Batalhão de Polícia Ambiental ainda durante a manhã.

No entanto, de acordo com os relatos apresentados, nenhuma equipe havia chegado ao local até o início da tarde, situação que aumentou a indignação de quem acompanhava o sofrimento do animal.

Posteriormente, a Polícia Militar informou que a garça foi resgatada pelo Batalhão de Polícia Ambiental e encaminhada para atendimento veterinário especializado. A corporação, porém, não detalhou os motivos da demora apontada pelos moradores.

O episódio envolvendo a garça ferida trouxe novamente à superfície uma preocupação recorrente entre moradores, comerciantes e frequentadores da Batista Campos.

Segundo os relatos, não são raros os casos de aves encontradas mortas ou caídas dentro da praça.

A situação levanta dúvidas sobre as condições enfrentadas pela população de garças que ocupa a área e reforça pedidos por uma avaliação técnica mais aprofundada.

A médica Andreia Lobato afirmou que a comunidade tenta buscar soluções junto aos órgãos públicos há mais de um mês.

De acordo com o relato, contatos teriam sido feitos com o Centro de Zoonoses e com a Adepará, mas, segundo os moradores, ainda não houve uma resposta considerada efetiva nem a apresentação de um plano de ação para enfrentar o problema.

Nos bastidores da discussão ambiental, o caso acende um alerta que vai além do desconforto causado pela presença das aves.

O biólogo Basílio Guerreiro defende que a ocorrência de mortes frequentes exige investigação especializada.

Segundo ele, quando muitos animais morrem em um mesmo período, é necessário realizar exames técnicos para identificar possíveis causas, sejam elas doenças virais, bacterianas ou lesões físicas.

A movimentação levanta dúvidas justamente porque, até o momento, não há um diagnóstico público que explique o que está acontecendo com a população de garças da praça.

O silêncio institucional aumenta a pressão por respostas mais objetivas e por estudos que possam esclarecer a situação.

O problema também já produz reflexos diretos sobre quem trabalha e frequenta a região.

O vendedor de água de coco Paulo Figueiredo relata que o forte odor e o acúmulo de fezes têm afastado clientes e reduzido o movimento.

Frequentadores afirmam que determinados trechos da praça passaram a ser evitados por pedestres e praticantes de caminhada.

Mesmo com a presença de equipes de limpeza, moradores relatam que bancos, brinquedos e áreas de convivência permanecem frequentemente sujos.

O que deveria ser um dos principais espaços de lazer da capital acaba convivendo com reclamações que afetam tanto a experiência dos visitantes quanto a atividade econômica de pequenos trabalhadores da região.

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), informou que os animais de vida livre não estão sob responsabilidade direta da gestão municipal, diferentemente dos animais mantidos em cativeiro.

Já o Ibama informou que não existem, até o momento, estudos ou ações de manejo em andamento voltados especificamente para a população de garças da praça Batista Campos.

O órgão destacou ainda que qualquer intervenção depende de um diagnóstico técnico prévio elaborado por profissionais habilitados e apresentado ao órgão ambiental competente.

Enquanto isso, a população continua cobrando uma solução para um problema que, segundo os relatos, não começou agora.

Diante da sequência de denúncias, cresce a expectativa de que órgãos ambientais e autoridades competentes promovam uma avaliação técnica da situação.

A realização de estudos, monitoramento da população de aves, exames em animais encontrados mortos e a elaboração de um plano de manejo aparecem entre as medidas defendidas por especialistas e moradores.

A preocupação não envolve apenas a preservação das garças, mas também a manutenção de um dos espaços públicos mais tradicionais e frequentados da capital paraense.

A Polícia Militar informou que o Batalhão de Polícia Ambiental realizou o resgate da garça ferida e que o animal será encaminhado para atendimento veterinário especializado.

A Prefeitura de Belém, por meio da Semma, afirmou que animais de vida livre não estão sob responsabilidade direta da gestão municipal.

O Ibama informou que não há estudos ou ações de manejo em andamento para a população de garças da praça Batista Campos e ressaltou que qualquer intervenção depende de diagnóstico técnico prévio.

As garças fazem parte da identidade visual e afetiva da Batista Campos há décadas. Mas quando aves aparecem feridas, morrem sem explicação e moradores acumulam pedidos de ajuda sem respostas claras, a discussão deixa de ser apenas ambiental. Ela passa a ser também uma questão de gestão pública, responsabilidade institucional e respeito ao patrimônio natural que divide espaço diariamente com milhares de belenenses.

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