Secretários Renê Júnior e Adler Silveira assumem papel fiscalizador em meio à crise e risco de descontrole nas finanças do banco estadual
Após uma série de denúncias e uma onda de reclamações sobre dados inconsistentes, contratos suspeitos e serviços mal executados, o Governo do Estado do Pará finalmente decidiu colocar ordem no Banco do Estado do Pará (Banpará). Documentos obtidos pela nossa reportagem revelam que o Executivo determinou uma devassa na administração da instituição financeira, com uma fiscalização rigorosa conduzida pelo Conselho Fiscal do banco. Dois secretários de peso do governo, Renê Júnior (Fazenda) e Adler Silveira (Obras Públicas), agora atuam diretamente na análise de contratos, contas e decisões administrativas do Banpará, assumindo um papel até então tímido, mas agora central no controle do banco.
O Banpará, que tem sido alvo de dúvidas e questionamentos sobre sua gestão, enfrenta pressão para corrigir rumos, especialmente em ano de grandes eventos como a COP30, que exigem eficiência e transparência.
Segundo fontes próximas à gestão, a ofensiva do governo ganhou força com a decisão de colocar Renê Júnior e Adler Silveira no Conselho de Administração e, principalmente, no Conselho Fiscal do Banpará — este último presidido pelo secretário de Obras. A dupla recebeu carta branca do governador Helder Barbalho para acesso irrestrito a documentos, contratos e relatórios financeiros, buscando identificar irregularidades e garantir o alinhamento da instituição às diretrizes do Executivo.
Até então, a fiscalização era considerada tímida, com pouca pressão sobre a diretoria colegiada do banco. Agora, o ambiente é de tensão, com diretores receosos diante da possibilidade de responsabilizações administrativas, exonerações e até processos judiciais.
Um dos estopins para a investigação aprofundada foi a reclamação pública do diretor de Tecnologia da Informação, Carlos Alexandre Silva. Ele alertou sobre os prejuízos causados pelo rompimento das fibras ópticas que sustentam os sistemas do Banpará, resultado de obras preparatórias para a COP30. A solução emergencial proposta envolve um contrato de R$ 20 milhões com a Starlink, empresa do bilionário Elon Musk, para garantir a continuidade da internet e dos serviços digitais do banco.
O caso levantou questionamentos sobre a urgência, o custo e a transparência dessa contratação, além de reacender o debate sobre a gestão precária e os gastos desencontrados no banco.
A devassa no Banpará envolve análise minuciosa desde operações de crédito, passando por contratos com fornecedores até práticas administrativas que fogem aos padrões da governança corporativa. A principal dúvida que permanece é se o banco vai conseguir corresponder às expectativas do maior credor que tem: o próprio governo do Estado.
Além disso, pesa sobre o Banpará a responsabilidade de atender adequadamente seus clientes, garantir lucratividade e transparência — aspectos que vêm sendo questionados nas últimas gestões.

Procurados, os secretários Renê Júnior e Adler Silveira confirmaram a atuação rigorosa no Conselho, mas não detalharam o andamento das investigações. A diretoria do Banpará preferiu não se manifestar oficialmente até o momento.
O Governo do Pará, diante das denúncias e da pressão da sociedade, sinaliza que não tolerará mais desvios e descontrole. O futuro do Banpará depende agora do rigor e da efetividade dessa devassa, que pode redefinir os rumos do banco e da administração pública no estado.
