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Vereador João Paulo Coelho: patrimônio milionário, fraude eleitoral e ostentação em Belém

Cassado por fraude em 2024, mas reeleito no mesmo ano, parlamentar ostenta salto de R$ 30 milhões no patrimônio. Ministério Público e Receita monitoram indícios de enriquecimento ilícito.

Um relógio suíço de mais de R$ 1 milhão no pulso. Uma Ferrari 812 de R$ 6 milhões — a única no Pará. Um jato executivo Cessna Citation CJ4, avaliado em mais de R$ 40 milhões, utilizado frequentemente para viagens ao interior do estado. Essa é a cena que hoje se vê em Belém envolvendo João Paulo Albuquerque Coelho, jovem vereador de 25 anos que voltou à Câmara Municipal este ano, apesar de um histórico recente de escândalos.

Cassado no início de 2024 por fraude na cota de gênero no mandato conquistado em 2020 (conforme revelou O Liberal), João Paulo não se afastou da política: concorrendo novamente em outubro de 2024, foi reeleito e retomou o cargo em 2025.

Mas agora, além da polêmica eleitoral, o que mais chama atenção — e preocupa autoridades — é seu enriquecimento meteórico.

Segundo documentos obtidos facilmente no site do TSE, o patrimônio declarado de João Paulo saltou de R$ 2,4 milhões em 2020 para impressionantes R$ 32,1 milhões nas últimas eleições. Um acréscimo de quase R$ 30 milhões em apenas quatro anos — período em que nem sequer terminou o primeiro mandato.

Um cálculo simples revela que, mesmo que o vereador dedicasse integralmente seu salário à aquisição dos bens citados, levaria cerca de 340 anos de mandato para alcançar tal patrimônio — algo manifestamente incompatível com sua renda oficial.

Como funciona o esquema?
Fontes do Ministério Público e da Receita Federal ouvidas sob anonimato apontam que o vereador movimenta somas muito superiores à sua renda oficial em contas pessoais e de empresas familiares.

Investigações preliminares indicam que contratos públicos e parcerias com fornecedores da Câmara de Belém estariam sendo utilizados para irrigar empresas controladas por familiares como a J. R. LIMPEZA E CONSERVAÇÃO, de Adryane Albuquerque Coelho, e a MARCO COELHO SERVIÇOS LTDA, conhecida como SERVICE ALIANÇA PARÁ, de Marco Antonio de Sousa Coelho.

“É um caso clássico de incompatibilidade patrimonial, com fortes indícios de lavagem de dinheiro”, afirmou um procurador do MP à reportagem.

O que vem pela frente?
A situação do vereador já está no radar dos órgãos de controle. O Ministério Público estuda abrir um inquérito por enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa.

Paralelamente, a Receita Federal já teria instaurado um procedimento fiscal para aprofundar a análise das movimentações financeiras do parlamentar.

Mesmo em meio às investigações, João Paulo segue ocupando uma cadeira na Câmara Municipal em 2025, sem apresentar qualquer explicação pública sobre o salto em seu patrimônio.

A reportagem procurou João Paulo Albuquerque Coelho e sua assessoria em diversas tentativas, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto. A Câmara de Belém, questionada, também não informou se abrirá uma apuração interna.

Enquanto isso, cresce a pressão da sociedade civil. “O caso não pode ser tratado como normal. É inaceitável que alguém cassado por fraude volte à Câmara com um patrimônio milionário e sem investigação imediata”, disse um representante da ONG Transparência Pará.

E o povo paraense segue assistindo a esse desfile de dinheiro pelas ruas e restaurantes mais caros da cidade — um espetáculo de ostentação sem o menor remorso, enquanto as autoridades ainda fingem não ver.

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