No papel, uma empresa rica. Na prática, apenas mato e abandono.
A cada mês, um novo CNPJ brota na sombra do clã Coelho.
O mais recente atende pelo nome de Brisan Comércio e Serviços Combinados Ltda. Fundada em 2012, mas agora com sangue novo: Ana Gabriela Andrade de Almeida Coelho, esposa do deputado estadual Adriano Coelho, entrou como sócia.
O endereço oficial: Passagem Boca do Acre, 201, bairro Telégrafo Sem Fio, Belém.
Quem passa por lá encontra outra coisa: um terreno baldio, vazio, com um tapume e mato alto.
No papel, uma empresa de um milhão de reais em capital social.
Na rua, nada.
Mas, não se engane. A Brisan não nasceu isolada.
Ela se soma ao emaranhado de siglas e sociedades que orbitam a família. Um grupo econômico que, como mostram reportagens anteriores do Nota Pública, aprendeu a multiplicar CNPJs como quem coleciona armas num arsenal político: cada um com função específica em contratos, licitações, pregões.
Os códigos de atividade da Brisan soam genéricos e convenientes: limpeza, portaria, manutenção, terceirização. Tudo o que alimenta a máquina dos contratos públicos. Atividades tão amplas que permitem a presença em qualquer edital, do cafezinho à construção.
O endereço fantasma e o sobrenome da sócia não deixam dúvidas sobre a pergunta que precisa ser feita: seria a Brisan mais uma peça na engrenagem de manipulação de pregões e orçamentos de fachada da família?
O público precisa saber.
E vai saber.
Esta reportagem é só um primeiro passo.
O que hoje parece apenas um terreno vazio pode revelar o tamanho real de mais um capítulo da velha política paraense.
