Antes tratado como inimigo jurado, marqueteiro milionário de Jatene e Almir agora é apontado como favorito absoluto na licitação de publicidade da capital. Nos bastidores, a vitória já é dada como certa.
O morto-vivo da propaganda
Quem diria? Orly Bezerra, o marqueteiro que sobreviveu a todas as denúncias, auditorias e até operações policiais, está de volta. Dono da Griffo Comunicação & Jornalismo LTDA, conhecida como a agência que engordou cofres durante os governos tucanos, Orly reaparece com força no tabuleiro político.
O mesmo Orly que foi apontado em auditorias por contratos de TVs fantasmas no Banpará, alvo de inquéritos do Ministério Público e acusado em blogs independentes de transformar propaganda oficial em caixa eleitoral, agora é tratado nos bastidores como o grande vitorioso da licitação de publicidade de Belém. O resultado oficial ainda não saiu, mas nos corredores do poder, já se dá a disputa como decidida.
O rei nunca perdeu a coroa
Os números falam mais alto do que qualquer discurso. Entre 2011 e 2014, a Griffo faturou mais de R$ 95 milhões em contratos do governo do Pará, sob Jatene. Na prefeitura de Belém, entre 2013 e 2016, foram mais R$ 29 milhões. O Banpará, por sua vez, não ficava de fora: contratos desde os anos 2000 engordaram os cofres da agência.
E quando uma auditoria em 2021 descobriu que R$ 1,2 milhão foram pagos por equipamentos que sequer existiam, parecia o fim. Parecia. Porque em política paraense, fim nunca é fim. É só um intervalo até a próxima eleição.
Quem trouxe Orly de volta?
O que ninguém consegue responder com clareza é: quem exatamente decidiu ressuscitar Orly Bezerra? Nos bastidores, comenta-se que a reabilitação do “rei da publicidade tucana” foi orquestrada por um grupo político ligado a uma das famílias tradicionais de Belém, conhecidas por nunca perderem espaço — apenas trocarem de aliados.
Seja por conveniência, seja por pragmatismo eleitoral, o fato é que o publicitário volta ao centro do jogo sem nunca ter sido realmente apagado dele. Velhas inimizades se transformam em novas parcerias, como se a memória política da cidade fosse feita de fumaça.
Enquanto isso, os cofres públicos já se abrem para mais um capítulo da velha novela: repetem-se os personagens, multiplicam-se os contratos milionários — e as mesmas famílias tradicionais continuam ditando o destino de Belém, como se nada jamais mudasse.
